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O Carnaval sob a ótica espírita

Este artigo está divido entre dois textos que refletem a opinião de dois estudiosos do espiritismo a cerca do Carnaval.





Visão Espírita do Carnaval (Felipe Teixeira)


O carnaval, do latim "carna" (carne) e "val" (festa), significa literalmente festa da carne, e sem dúvidas, é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. E como toda cultura tem sua origem, com o carnaval não seria diferente. A festa tem sua origem em Portugal, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha. O evento cultural acontecia num período anterior á quaresma e portanto, tinha um significado ligado à liberdade.


Este sentimento permanece até os dias de hoje no Carnaval. E tendo sido uma festividade "expansionista" , a festa além de se expressar em outros países da Europa, chega ao Brasil por volta do século XVII influenciada pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias, costumes "apropriados" pelo carnaval brasileiro.


André Luiz no livro Conduta Espírita, psicografado por Waldo Vieira afirma que o espírita deve afastar - se de festas como o carnaval que segundo o mesmo é regido pelos excessos de vícios morais e manifestação de espíritos inferiores. Já Emmanuel numa psicografia de Chico Xavier datada de julho de 1939, diz, entre outras coisas, que nenhum espírito equilibrado em face do bom senso,que deve presidir as criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências, nas festas carnavalescas.


Então e agora? Não vou poder mais ir em festas? Colocar uma fantasia e pular carnaval? Sim! Você pode, pois devemos sempre lembrar que além de o espiritismo não proibir nada, se formos seguir cada coisa de forma rígida e interpretando tudo ao pé da letra, não faremos mais nada na vida. Um exemplo que podemos dar para ilustrar esse argumento, é um relato sobre Chico Xavier, no qual diz que quando o médium estava encarnado, tinha alguns amigos que sempre lhe chamava para ir pescar, mas que como Chico não gostava de pescar, pois achava injustiça matar os peixes para diversão, sempre arrumava uma desculpa para não ir pescar com os colegas. Até que certo dia, Emmanuel, seu guia espiritual, falou para Chico ir, somente para conhecer e agradar os amigos. O escritor então foi pescar com seus amigos, e ao chegar lá, todos conseguiam pegar peixes, menos Chico. Os companheiros começaram a ficar desconfiados e questionaram o filantropo. Foi ai que Chico disse que tirou o anzol da vara, porque não queria pegar nenhum peixe, mas que queria estar ali apenas para acompanhar a turma de pescadores.


E como esse exemplo serve para o ato de ir ao Carnaval? Serve como estímulo de que podemos sim, ir para blocos, foliões e afins, mas que não somos obrigados a realizar tudo que nossos amigos fazem. Chico não pescou nenhum peixe mas estava entre os colegas pescadores, então, faça o mesmo nas festas culturais do carnaval, vá e se divirta mas não pegue nenhuma energia negativa e nem tome atitudes que irão te prejudicar espiritualmente e desacelerar o seu processo evolutivo! E que possamos lembrar também do exemplo de Jesus que sempre que ele chegava em algum lugar, dizia: “Que a paz de Deus se faça presente." Fale essas palavras em pensamento, se cuide, ore, eleve os pensamentos e mantenha a vibração elevada nesses lugares, para que mal nenhum te aconteça. E sobre essa manifestação da espiritualidade inferior no carnaval, não é por causa da festa cultural em si, mas pelas atitudes dos seres humanos, pois os Espíritos não se atraem pelas culturas alheias, mas pelas ações e pensamentos dos seres encarnados.



O Carnaval sob a ótica espírita (Allan Marques)


Aproximam-se os dias em que na Terra, especialmente em nosso país, ocorre uma das festividades populares mais tradicionais, o Carnaval, cujas origens remontam às comemorações realizadas pelos povos antigos, com destaque para as bacanálias e saturnálias de gregos e romanos, e mais adiante, o entrudo dos portugueses que colonizaram as terras brasileiras.


Nas obras básicas da Codificação espírita, em nenhum momento Allan Kardec indaga aos Espíritos Superiores ou recebe deles instruções específicas acerca dessa manifestação popular, porém há vários elementos e informações relevantes que nos auxiliam no entendimento mais ajustado sobre a questão ora analisada.


Se pararmos um pouco e refletirmos sobre “livre-arbítrio” e “lei de causa e efeito”, chegaremos à conclusão de que, conforme a Doutrina Espírita orienta, nada nos é proibido, porém somos responsáveis por toda e qualquer escolha que venhamos a fazer. Ainda o Espiritismo nos traz informações altamente enriquecedoras acerca dos fluidos e suas propriedades, alertando-nos sobre a “atmosfera espiritual” criada pelo pensamento e os ambientes por onde transitamos, cujas vibrações resultam do conjunto de emanações fluídicas próprias dos presentes,

encarnados e desencarnados, que compõem determinada assembleia.

Nesse sentido, valemo-nos das orientações de benfeitores da Humanidade, que consideramos conselheiros amigos, sobre “a festa mais popular do Brasil”. Thereza de Brito, por intermédio de José Raul Teixeira, na obra “Vereda Familiar” dedica um capítulo inteiro, o de número 14 (As folias de momo), para tratar da questão sob a ótica do Espírito imortal; informa, no início de sua abordagem, que, num planeta como a Terra, “apresentam-se situações e costumes absurdos que a massa aceita com normalidade”, dando-nos a entender que nem sempre o que é tido como normal deve ser percebido como ético ou equilibrado.


Numa rápida abordagem sobre a história da festividade, Thereza ensina que o Carnaval deixou de apresentar características de gracejos e bulícios dos grupos, passando, com o tempo, a servir de veículo para o desaguar dos caracteres tortuosos, liberando os indivíduos as nódoas do psiquismo em desalinho.


A amiga espiritual também destaca algo muito comum em nossa sociedade: o fato de muita gente se expressar com honestidade, asseverando que vai para o Carnaval sem intenções malévolas… Entretanto, ela nos diz que a sintonização, mesmo nestes casos, está formada. “Mergulhados nas mesmas energias, toda a gente se mantém no mesmo caldo de nutrição psíquica”. Vale o alerta da nobre trabalhadora que pontua: em considerando as leis fluídicas, não podemos menosprezar a influência nociva de Entidades desencarnadas…


Mas, então, o que fazer? Ainda sob a orientação deste Espírito notável, compartilhamos sua proposta para esses dias de folia na Terra: numa sociedade onde a vida familiar tem sido tão difícil, tão escassa, por que não aproveitar os dias carnavalescos para conviverem bem mais juntos? Estreitar os vínculos de carinho e afeto com o próximo mais próximo, valorizando o tempo que temos à nossa disposição!


Lógico que o Espiritismo não nos incita à reclusão ou abandono da convivência com as demais pessoas. Em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, Capítulo XVII, Sede perfeitos, na mensagem “O homem no mundo”, o Espírito Protetor que a assina assevera: Não penseis que queiramos levar-vos a viver uma vida mística, que vos mantenha fora das leis da sociedade em que estais condenados a viver. Vivei com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens. Pois, segundo ele, a virtude não consiste em repelir os prazeres que a condição humana permite. Sugere-nos, portanto: Sede alegres, sede felizes, mas da alegria que dá uma boa consciência.


Pois bem, por tudo o que aprendemos com a Doutrina Espírita, concordamos com a proposta trazida pelo Espírito Emmanuel, que assevera: “Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho”. Num mundo ainda tão carente de equilíbrio, busquemos a sintonia com o Mais Alto, especialmente em dias tumultuosos, como esses do Carnaval na Terra.


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